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Blog Walter Feldman
Há revoluções que começam barulhentas e ameaçadoras com seus tanques nas ruas. Mas há outras que, fraternas e silenciosas, podem começar, por exemplo, com bicicletas nas ruas.
É o que vai acontecer domingo em São Paulo.
Domingo, às 10h30, no Parque das Bicicleta, e só podia ser lá, vamos dar a pedalada inaugural da nossa Ciclofaixa de Lazer.
Todos convidados! Eu vou estar lá, o Prefeito, o Secretário dos Transportes, o Secretário do Meio Ambiente - e você! E todo mundo pedalando.
- Nossa primeira ciclofaixa vai unir os parques das Bicicletas, Ibirapuera e do Povo através de um pequeno corredor bem assinalado no asfalto. Não tem erro, é só curtir. E de agora em diante, todos os domingos da 7h às 12h, São Paulo vai ser um pouco das bicicletas. Primeiro nesse trecho inicial, que depois vai-se estender por outros parques. É tão justo e delicioso que, pelo menos nos domingos, esta cidade seja mais das pessoas do que dos carros.
- E das bicicletas. São Paulo tem 700 mil bicicletas, todas em forma para o trabalho, o lazer e o prazer, e 4 milhões estacionadas, paradas por falta de estímulo ou de ambiente. Não de vontade, nem de necessidade.
- Pois agora vamos mudar isso. A Prefeitura está investindo firme num grande projeto de ciclofaixas e ciclovias. Pesquisa do Metrô mostra que mais do que dobrou o número de usuários na cidade: em 1996 eram 162 mil, agora são 305 mil.
- A cidade ainda é dura e cruel com o ciclista? Ela, às vezes, ainda é dura e cruel não só com o ciclista, mas com o ser humano em geral, que não se sente de ferro nem de cimento para enfrentá-la.
- Mas podemos, com imaginação e coragem, mudar isso. Com imaginação, coragem e, para começar, bicicleta. A idéia é esta: contra o dragão, uma magrela, uma simples magrela leve e poderosa na sua aparente fragilidade. É como se quebra o ciclo da violência. Quantas revoluções não começaram assim, alegres, desarmadas.
- Domingo todo mundo lá!